sábado, 5 de novembro de 2016

Resenha: Harry Potter e a Criança Amaldiçoada - J.k. Rowling, John Tiffany e Jack Thorne


Bom, o blog andava (completamente) meio parado, mas por motivos de HARRY POTTER, a vontade de escrever pra cá ficou maior do que a de não escrever e cá estou eu...

Antes que você siga adiante, deixo meu aviso de que esta resenha será toda spoiler, então se você prefere não saber de nada, não vá em frente!

Sinopse original:

"Sempre foi difícil ser Harry Potter e não é mais fácil agora que ele é um sobrecarregado funcionário do Ministério da Magia, marido e pai de três crianças em idade escolar. Enquanto Harry lida com um passado que se recusa a ficar para trás, seu filho mais novo, Alvo, deve lutar com o peso de um legado de família que ele nunca quis. À medida que passado e presente se fundem de forma ameaçadora, ambos, pai e filho, aprendem uma incômoda verdade: às vezes as trevas vêm de lugares inesperados."

Esta "segunda capa" é bem mais bonita

Comentários:

Desde a estréia da peça e do lançamento da versão em inglês do roteiro, eu consegui me livrar de spoilers, então quando a versão traduzida para o português chegou aqui na minha casa, eu não sabia quase nada dessa trama, somente que era uma aventura envolvendo Harry e seu filho mais novo (Alvo) em uma nova luta contra as Artes das Trevas, dezenove anos depois da história do sétimo livro, retomando exatamente de onde ele tinha sido encerrado. 

Por essa razão, eu estava "de coração aberto" pra o que viesse, completamente predisposta a gostar da história: morrendo de saudades dos personagens, do universo mágico e extremamente curiosa sobre esse novo período da vida de Harry. Mas, apesar da minha "boa vontade", as coisas não foram como eu imaginei... 

O roteiro é bom?


....é.


Qual o problema, então?


Ele não pode ser considerado o "oitavo volume" da saga (mas de jeito nenhum)!


Aqui, lado a lado, pra comparação XD
No início da leitura, é maravilhoso rever Harry, Rony e Hermione exatamente onde os deixamos ao final do sétimo livro: na Estação de King's Cross, prontos pra embarcar os filhos no Expresso de Horgwarts. Nessa parte, é só nostalgia e carinho pelos personagens. Mas, quando o foco muda para o personagem de Alvo e a verdadeira história vai se mostrando, as coisas começam a desandar. 

Primeiramente, algo que me incomodou foi a motivação do Alvo e do Escórpio para embarcarem na aventura que serve de base para o roteiro. Achei insuficiente: por que todo esse empenho para salvar o Cedrico Diggory? Não que ele não merecesse, mas por que ele dentre todas as vítimas de Voldemort? Igualmente, não me pareceu convincente a motivação de Alvo, simplesmente por querer consertar um suposto "erro" do pai, com quem ele vivia em conflito.

Ainda sobre os personagens, diversas vezes eu não os reconheci em suas falas e atitudes. Me peguei pensando coisas como "Harry, jamais faria isso!", "Sério que essa é mesma Gina dos livros?" ou "Esse não é o Snape que EU conheço". Claro, existe um intervalo de 19 anos entre essa história e a dos livros, mas ainda assim, um possível amadurecimento dos personagens não justifica esses desvios de suas personalidades originais, muito pelo contrário: Harry, por exemplo, em vários momentos passou longe da maturidade de um homem de quase 40 anos e parecia mais aquele menino inseguro e revoltado com o mundo, depois da morte de Sirius. E isso não é legal, NÃO É o Harry que deixamos na Estação de King's Cross, 19 anos depois da Batalha de Hogwarts.

Essa falta de verossimilhança nas atitudes dos personagens foi a primeira coisa que me fez pensar que estava lendo algo parecido com uma fanfic. Afinal, era esse o sentimento que algumas fanfics despertavam em mim: a sensação de que aqueles não eram, verdadeiramente, os personagens da J.K. Rowling. Pra completar o visual fanfic, inseriram as viagens no tempo como fio condutor da história (na verdade, o problema não é essa temática, mas sim as pontas soltas que ela deixou). Quando eu achava que já estava de bom tamanho, foi acionado o "fanfic hard mode" e Voldemort ganhou um FILHA! Com Bellatrix Lestrange! Concebida durante o período representado no sétimo livro. Aham, tá çerto... Não preciso falar mais nada, não é? A filha de Voldemort e Bellatrix como vilã da história, dezenove anos depois? Sério? 

Outro ponto que acho que merece atenção foi o desfecho dos relacionamentos amorosos dos personagens. Eu, particularmente, achei bem fofa e curti a relação gato e rato entre Escórpio e Rosa, assim como os indícios de que esse romance iria render ao final da história. Mas, eu também acho que esse poderia ter sido um assunto abordado de forma diferente, pois o roteiro diversas vezes dá tons românticos à amizade entre Escórpio e Alvo, então os autores poderiam ter optado por deixar essa questão em aberto, sem demarcar precisamente os desfechos românticos dos personagens. Portanto, teria sido bem mais interessante se tivesse sido deixado um ponto de interrogação, pro público interpretar.

Outra crítica em relação às escolhas tomadas pelos roteiristas, é a situação de Hermione em uma das realidades alternativas visitadas por Alvo durante as viagens no tempo: quer dizer que se não fosse casada com Rony, Hermione jamais seria Ministra da Magia, mas sim uma professora amargurada e solteira? Vejam bem, não é que o roteiro tenha dito isso, mas foi a impressão que me passou. 

Masss, apesar disso tudo, eu gostei da história, como trama paralela baseada no universo de Harry Potter (fanfic? hahaha).

Harry Potter e a Criança Amaldiçoada não é um livro, nem pode ser lido com essa expectativa. Ele é o roteiro de uma peça de teatro. Tendo isso claro, se torna mais fácil de tolerar aquilo que não gostei e até mesmo entender por que em diversos momentos as motivações dos personagens pareceram fracas: ausência das interpretações dos atores.  Além disso, é necessário lembrar que essa história não é de autoria somente da J.K Rowling, pois ela foi criada em parceria com John Tiffany e Thorne, que reproduziram na história seus próprios pontos de vista e modos de escrita.

Antes desse, eu só tinha lido um outro roteiro na vida, mas gostei bastante da leitura: é ágil, nenhum pouco cansativa e as descrições das mudanças de cenas e recursos utilizados ao longo do espetáculo realmente me fizeram ter vontade de um dia assistir a peça e poder ver tudo aquilo acontecendo. Ele é estruturado em duas Partes, cada uma com dois Atos. 

No geral, foram feitas várias concessões aos fãs e inseridos momentos emblemáticos da saga, claramente colocados ali pra emocionar e deixar um sentimento de nostalgia: o retorno ao Torneio Tribruxo; o recurso de alguns diálogos, pra alívio cômico  (Rony x Hermione, Hermione x Draco, etc); o assassinato dos pais de Harry, presenciado por ele já adulto (eu realmente me emocionei nesse aqui).

Durante a leitura, por um breve momento, temi que eles tivessem optado por um desfecho interligando definitivamente as histórias dos livros ao roteiro: fazendo com que o bebê Harry fosse salvo por ele próprio já adulto,  ou por Alvo, no momento em que Voldmort tentasse matá-lo e ele misteriosamente sobrevive à maldição (aí a metáfora do amor que salvou Harry se estenderia à sua relação com Alvo). Mas, graças à Merlim, nada disso aconteceu! Não achem que eu tenha viajado ao pensar nessa hipótese, afinal essa foi uma história digna de uma fanfic, onde tudo parecia possível.

Talvez, pelo alívio que senti que quando vi que o desfecho não seria assim, eu me reconciliei com a história e decidi que ela tinha deixado em mim um saldo positivo. Por isso, recomendo a leitura, como um passatempo divertido, mas jamais com a expectativa de estar lendo o oitavo volume da saga. 

Nota: 3/5


Bom, esse foi meu "desabafo" (não tem forma melhor pra definir) sobre Harry Potter e a Criança Amaldiçoada, qual o seu? Deixe aí, nos comentários!

Nota: 3 - Bom pra passar o tempo

Um comentário: